'Quem vem lá?
“Quem vem lá?” Perguntou a ovelhinha da porta de sua casa. “Porque querem entrar no meu reino, nas minhas possessões terrenas?” Reforçou com desdém. Durante algum tempo fez-se silencio, ninguém respondeu, pois lá fora apenas o sol quente e uma brisa ligeira se aventuravam naquela tarde suave de Domingo.
A ovelhinha não desanimou, manteve a guarda, não era dia de semana, não costumava passar ninguém por ali, mas quem sabe. Poderia surgir quem quisesse entrar, até sem licença, e roubar todo aquele nada que era o seu todo. Nunca tinha partilhado, sequer umas raspas, de algo seu. Nunca tinha deixado ninguém entrar. Se calhar ninguém tinha até querido entrar, já não se lembrava.
Muitos nuncas, para uma simples ovelhinha, que por lá ficou, à espera, resmungando “Quem vem lá?” quando apenas o vento soltava assobios do encontro com as giestas.'

... pode ser lido Aqui.
10 comentários:
Não sei que dizer, fico honrado com a reprodução. Inspirado num instante que fotografei, acabei por descrever a solidão, para não a esquecer, e apreciar melhor o seu fim. Beijo
Este texto - pôs-me em sentido, Alexandre. Em sentido! Arrepiante!
Beijinho
o vento às vezes disfarça-se de gente...
até as ovelhinhas o sentem...
bjs Lúcia
Muitas são as interpretações possíveis deste belíssimo post que aqui reproduzes, Lúcia.
Fico-me pela do Pedro e o Lobo, atendendo à conjuntura
Alexandre, parabéns, gostei do seu texto, de grande sensibilidade. Gostei do seu blogue. Já o pus nos meus favoritos. Lembrei-me de Éxupéry, que acha? Abraço
Uma delícia, este nacozinho de prosa. A fazer crescer água na boca para ler o resto.
Eis um texto para reflectir...
Abraço-te, linda-
Nem pestanejo...vou correndo espreitar o blog.
Mas que prosa! com que ternura se pode falar do que é triste...! E a foto? Não vejo que outro texto a poderia legendar. Tudo perfeito!
Obrigada, Lucia!
Beijinho
Deixo aqui os agradecimentos aos comentários e elogios a este meu texto (e fotografia), que a Lúcia tanto gostou ao ponto de me bem-querer com a sua publicação no seu blogue.
Não estava à espera, e como tal fico muito enternecido.
Pelas diferentes interpretações, que ampliam o âmbito do texto; pelas subsequentes visitas ao meu blogue; pelo facto de o Eduardo ter dito que lhe lembra Éxupéry e o seu Principezinho, livro que eu tanto adoro; ao Gui que me pôs a pensar num seguimento para a história da ovelhinha (está a cozinhar, vamos ver se sai algo saboroso); à São e a todos os que estas palavras fizeram reflectir; à Ausenda pela perfeita ternura das suas palavras (e ao som que ouço do seu blogue enquanto escrevo isto). A todos, Obrigado.
Passei para deixar um sorriso :)
A foto é interessante!
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