sexta-feira, 15 de junho de 2012

Why do I stand up here?

Por vezes, esqueço-me. No entanto, tudo se simplifica se olharmos, constantemente,  à nossa volta de diferentes maneiras. Há que não esquecer. 
... Eu não esqueço -  só não me lembro!...é quando tudo se complica.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Quando os Pais Educam mas...

Comprou-se a Titi à criança. A Titi é uma boneca.
Ano e e picos depois da compra, a criança decide levar a boneca para a escolinha.
Logo que sai do carro aparecem duas funcionárias. Antes que a criança tivesse tempo de apresentar a boneca, foi como se a boneca se apresentasse: "Olá; então a tua boneca é preta?". E a criança olha para a boneca e para as pessoas para ter a certeza de que estavam a falar da Titi. E lá responde: "É a Titi".
Entra na escolinha, e mais duas funcionárias em coro: "Olha, tens uma boneca preta?" E a criança: "É a Titi. É a minha boneca". E assistiu a um gozo generalizado à boneca, entre comentários que ela estava queimadinha; deveria ter saído do forno....
Noutro corredor, duas mães (e apareciam sempre aos pares): "Olá - tens uma boneca toda gira - é preta" . Aí, a criança, que já deu conta que alguma coisa de estranho se passa com a Titi desde que saiu do carro, lá foi dizendo: "É a Titi e não é preta. É castanha". A mãe ia assistindo a estas reacções, à estupefacção da criança e à vergonha que a própria Titi devia sentir naquele momento, sem nada dizer. Porque já nem a mãe se lembrava que a boneca era preta. E porque não lhe passou pela cabeça que estas conversas fossem possíveis, ainda para mais ali. Mãe, criança e Titi surpreendidas!
A criança entra na sua sala e logo ouve a educadora: "Olá - tens uma boneca toda gira. É preta". A criança, aqui, mostrou a sua impaciência e disse, já zangada: "Não é preta. É a Titi e é castanha". E a resposta desconcertante: "Sim, mas é castanha escura". A criança ficou a olhar para a boneca uns instantes, como que a descobrir o que até aí não tinha visto, porque nunca foi importante. Despediu-se da mãe, que também já estava a tentar apressar a saída.
À tarde, quando a mãe foi buscar a criança ouviu-a dizer da boneca : "Ó mamã, a Titi é castanha escura".
Moral: A Titi é preta, castanha, castanha escura para muita gente. Para nós era só mais uma boneca. A criança ficou a saber que a Titi é "diferente" (seja lá isso o que for). E é este tipo de sabedoria que dispensávamos que ela tivesse.
  
(escrito em 2008. Republicado quando S. precisou de ouvir esta história.)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Passou Por Mim e Sorriu...



Ela passou por mim e sorriu,
e a chuva parou de cair,
o meu bairro feio torna-se perfeito,
e um monte de entulho, jardim.

O charco inquinado voltou a ser lago,
e o peixe ao contrário virou.
Do esgoto empestado saiu perfumando,
um rio de nenúfares em flor.

Sou a mariposa bela e airosa,
que pinta o mundo de cor de rosa,
eu sou um delírio do amor.

Sei que a chuva grossa que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar por favor!

No metro enlatado os corpos apertados,
suspiram ao ver-me entrar.
Sem pressas que há tempo,
'tá gasto o momento,
e tudo mais pode esperar.

O puto do cão com seu acordeão,
põe toda a gente a dançar,
e baila o ladrão,
com o polícia p'la mão,
esvoaçam confetis no ar!

Sou a mariposa bela e airosa,
que pinta o mundo de cor de rosa,
eu sou um delírio do amor.

Sei que a chuva grossa que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar por favor!

Há portas abertas e ruas cobertas,
e enfeites de festas sem fim,
e por todo o lado é ouvido e dançado,
o fado é cantado a rir.

E aqueles que vejo que abraço que beijo,
falam já meio a sonhar,
se o mundo deu nisto e bastou um sorriso,
o que será se ele me falar.

Sou a mariposa bela e airosa,
que pinta o mundo de cor de rosa,
eu sou um delírio do amor.

Sei que a chuva grossa que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar por favor!

Sou a mariposa bela e airosa,
que pinta o mundo de cor de rosa,
eu sou um delírio do amor.

Sei que a chuva grossa que entope a fossa,
que o amor é curto e deixa mossa,
mas quero voar por favor!

quarta-feira, 31 de março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

5 Livros da Minha Vida


Mar por Cima, de Possidónio Cachapa

Manual dos Inquisidores, António Lobo Antunes

Todo o David Mourão-Ferreira
Uma paixão de há anos e anos...

e...
porque hoje o dia é do Nuno, ilustre colaborador deste blogue e, acima de tudo, TUDO de há muitos anos para cá, ... um livro que me marcou, que marcou o Nuno - O Barão Trepador de Italo  Calvino, sobre o qual o Nuno escreveu isto:

Cosmo

Vou a correr sobre as árvores!
Sigo por troncos grossos e fortes
Esgueiro-me por ramos mais finos
Que quase quebram quando os calco
Na minha correria febril!

Vou ter com alguém,
Mas não sei bem quem…
Não estou certo de quem procuro
Enquanto me embrenho
No mato escuro.

Será um mundo de tons Violeta?
Um amor de sempre,
Paixão para sempre
Perdida pela pátria
Pelo apelo do povo?

Será algo abstracto,
Algo que me chama,
Ideais de vida, sociais e universais,
Liberdade Igualdade e Fraternidade,
A proclamação da República?

Sigo a minha direcção,
Que não sei bem qual,
Mas sei por onde ir!
A natureza, minha mãe, nossa mãe,
Compreenderá a minha razão.

- NBS, 10/08-

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Chuva… Trânsito… Música… ou Uma Manhã Bonita...


Manhã cedo. Chuva. Muita. Porto. VCI. Chuva. Olho para os carros vizinhos, mas não se vislumbra um olhar, um cabelo desalinhado, uma expressão de impaciência perante o pára arranca. Ou um sorriso. Nada. Todos os outros vidros estão embaciados. Menos o meu. Não gosto de nadar no meio da névoa.
Demoro uma hora a fazer um percurso de trinta e cinco minutos. Até estou com pressa, hoje. Deixo-me andar. Três acidentes pelo caminho. Um carro avariado numa das faixas do meio da A 44. Um jovem coloca-se, corajosamente entre o carro dele e os que estão a ir na sua direcção. Guarda chuva fechado, nos braços levantados, para indicar aos outros que há perigo e que devem mudar de faixa. Todo molhado, com o carro avariado, no meio de uma auto-estrada movimentada com 4 faixas de rodagem, sujeito a levar uma trombada de algum que não trave a tempo… calculo que o Inferno, para ele, foi ali, naquela manhã.
Na rádio discorre-se: o péssimo momento do meu Sporting, o segredo de justiça, que quase nunca o é; a petição pela liberdade de expressão que parece que não existe daí ter-se feito uma petição e esteja marcada uma manifestação em frente da Assembleia da República porque não há liberdade de expressão e então o melhor é ir para a rua reclamar o pior é que ninguém deixa mas vamos na mesma… nada sobre o aumento do spread por parte dos bancos; nada sobre uma estratégia para atrair investimento; nada sobre soluções para contornar a situação de casais que estão com a corda na garganta… nada sobre caminhos novos… aliás, nada sobre o que verdadeiramente interessa. Só folclore. A nossa classe política não nos dá outra coisa. Os nossos jornalistas também não.

Manhã cedo. Chuva. Intensa. VCI. Os vidros desembaciados tornam o dia mais claro. E a música que me dá boleia…:-)

I’m Yours
‘Look into your heart and you'll find love love love
Listen to the music of the moment come 'n dance with me…’


Horas mais tarde, o mail chove poesia… ouve-se aquela voz quente pelo telemóvel e o almoço, afinal adiado, com um grande amigo fica como a sombra de uma manhã… bonita. Apesar da chuva… ou por causa da chuva!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Palhaçadas!

Mandaram-me hoje um mail a relembrar uma crónica do Mário Crespo, de há alguns dias, no JN (2009/12/14).

Sobre este texto tenho a dizer o seguinte:

O palhaço é também o jornalista que se põe em bicos de pés. O jornalista que acha que as notícias são um espectáculo (ou devem ser), porque no fundo são só palhaçadas. O palhaço que é jornalista faz palhaçadas com as notícias e se lhe dizem que não deve fazer palhaçadas chama os outros de palhaços. E diz que esses outros palhaços não deixam que os palhaços do contra se exprimam, e manda-os calar. E diz que esses palhaços não deixam que haja contraditório. Mas depois vemos esse palhaço, esses palhaços, que são jornalistas, a dizer e a fazer palhaçadas à vontade por todo o lado. Decididamente, este país tem palhaços a mais, e os piores palhaços são aqueles que acham que só os outros é que são palhaços.
Não vejo na televisão (embora seja verdade que veja pouca) a tão falada “falta de contraditório”. Temos sempre várias opiniões vindas de vários quadrantes políticos. Temos problemas graves no país e temos várias análises sobre isso. Mas os “jornalistas palhaços” acham que o importante é dar show, deitar abaixo sem apresentar, no fundo, notícias, e fazer do jornalismo um espectáculo político. (Foi o caso deste texto.) Ou melhor, em vez de falarmos e de nos centrarmos nos verdadeiros problemas do país, estamos todos perdidos nestes chiqueiros… Se calhar o governo até agradece… a oposição idem… Uma palhaçada!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Que Força é Essa, Amigo?


Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro


Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

- Sérgio Godinho -

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Bom Fim De Semana...

... e chuva, através dos vidros...
...pode ser reconfortante!



Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir na chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

- José Gomes Ferreira -

Que o Tempo Não Volte Atrás...

... mas ...é uma grande música ;-)



ENTRE MIS RECUERDOS

Cuando la pena cae sobre mi
el mundo dejaya de existir,
miro hacia atras y busco
entre mis recuerdos


Para encontrar la niña que fui
y algo de todo lo que perdi
miro hacia atras y busco
entre mis recuerdos
Sueño con noches brillantes
al borde de un mar de aguas claras y puras
y un aire cubierto de azahar.


Cada momento era especial
dias sin prisas,tardes de paz,
miro hacia atras y busco
entre mis recuerdos.


Yo quisiera volver a encontrar la pureza
nostalgia de tanta inocencia
que tampoco tiempo duro.


Con el veneno sobre mi piel
frente a las sombras de la pared
miro hacia atras y busco
entre mis recuerdos,
vuelvo hacia atras y busco
entre mis recuerdos.

Y si las lagrimas vuelven
ellas me haran mas fuerte.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti...

Ao Haiti, não bastava a pobreza; não bastava a prostituição infantil; não bastava haver todo um povo em constante luta, labuta e sofrimento. Ao Haiti chegou, de uma vez só, a devastação. Pais sem filhos; crianças orfãs; gente que geme, a esta hora... ainda...




'Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
Haiti
Caros amigos,
Umas breves palavras para vos dizer que a AMI parte amanhã para o Haiti, com uma equipa de dois elementos, que avaliará in loco as necessidades reais e as possibilidades que teremos de ajudar aquele povo.
Custa-me, mais uma vez, constatar que a injustiça continua a ser grande e que catástrofes com dimensões idênticas por vezes têm consequência menores (basta que aconteçam em países ditos "avançados"), outras dizimam populações inteiras. Mas apraz-me perceber que cada vez mais os cidadãos do Mundo se unem, estão alerta, têm iniciativa e agem.
Apercebo-me que, globalmente, a indiferença vai sendo combatida. Porque pobres ou menos pobres, todos sonhamos, porque todos somos seres humanos.
A AMI lá estará, a partir de amanhã. A fazer o que puder, com o que tiver para dar.'
-------------------
Em tempo: Como ajudar o Haiti? AQUI.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

E Agora?

Não apetece um café quente?


Imagem

“O Café é o ouro do homem comum e, como o ouro, traz a todo homem o sentimento de luxúria e nobreza. Onde é servido, há graça e esplendor, amizade e alegria. Todas as preocupações desaparecem quando uma chávena de café é levada aos lábios.” Abd-al-Kadir

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Casamento entre Homossexuais

Vamos ser profundos: a coisa analisa-se pelo prisma legal e pelo prisma moral. Eis um resumo sério do que penso.





Fica prometido um ensaio mais bem humorado e menos maçudo sobre o assunto, no futuro!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Carta IV - Da Maternidade

Da maternidade, sei-lhe o cheiro.
Seria capaz de reconhecer as minhas crias entre milhares, só pelo cheiro de cada uma.
Sei que os especialistas dizem muitas coisas sobre o cheiro dos filhos; sobre as reacções químicas que desencadeiam na mãe; sobre a vontade de os voltar a ter dentro do útero quando aquele cheiro nos entra no corpo.
Da maternidade, sei-lhe o cheiro. E a maciez da pele que nos impele um tal sentido de protecção e amor que sentimos que são nossos para sempre. São, sim. Mesmo que, a qualquer altura da vida, partam de nós…
Nós nunca, mas nunca, partimos deles. Não estaremos sempre com eles. Mas estaremos sempre neles. E é bom que os nossos filhos saibam disso, em qualquer altura das suas vidas.
Sei, meus queridos, que não sereis sempre felizes: que sofrereis… Não há como evitar as pedras no caminho. Tentamos, com o melhor que sabemos e sentimos, ensinar-vos a tirá-las. Com a menor dor possível e sem atingir os outros. Pauto a minha vida por valores maiores. Aos quais, e em alturas muito específicas da minha vida, não fui fiel, confesso. E se há gente neste mundo a quem tenho que pedir desculpa pelas minhas falhas, é a vocês. É, acima de tudo, aos vossos olhos que me julgo.
A esses olhos que ‘eu não vou parar de olhar’, como a S. me fez prometer um dia, ao ouvir uma música – ‘Mamã, tu nunca vais parar de me olhar?’.
Olho-vos em todos os espaços; invento-vos em todas as coisas.
E sim, minha querida – ‘vamos ficar juntos para sempre. Todos!’
Ainda que um dia vocês partam de mim; mas permanecerão. E eu em vós.
Abril 2009

Ilustração (divinal) de Otto Muller

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um Pote de Coisas Sobre a Crise...



Espanha é a nova presidenta (como diria Pilar del Rio) da União Europeia.
Os objectivos são ambiciosos: ou serão ambiciosos porque são tão urgentes e difíceis, quanto necessários?
A recuperação económica será o objectivo mais visível. Mas, numa altura em que gerar emprego se tornou o balão de oxigénio perdido, deve notar-se a importância das relações externas. Se tivermos em conta que grande parte dos empregos perdidos resultaram de empresas que se deslocalizaram para outros mercados, nomeadamente asiáticos, torna-se necessário arranjar soluções engenhosas para atrair investimento. Criatividade precisa-se!
Mas porque é que houve deslocalização? Se olharmos para o nosso país, aos salários bases, os trabalhadores somavam as horas nocturnas e fins-de-semana. E ainda que ajeitando, assim, mais uns tostões na carteira, o que levavam para casa distava bem da soma de muitos outros trabalhadores em carreiras técnicas que cumprem 35 horas de trabalho semanal!
Em outros países, onde o salário base é maior, onde os Contratos Colectivos de Trabalho são fruto de reivindicações de mentalidades bem mais avançadas dos que as nossas, também se sofre com o desemprego e com a deslocalização de empresas.
Mas eis que se descobre que o mercado asiático é fértil: porque o custo fixo dos salários será muito mais baixo, aqui, do que no país pior remunerado do velho continente. Segurança no trabalho, horário estipulado por lei, direitos do trabalhador, em alguns destes países são inexistentes. As condições quem que muitas pessoas trabalham são deploráveis. A China é um triste e fértil exemplo. Os Recursos humanos (utilizar este termo neste contexto é um luxo), que por cá levam uma grande fatia do capital das empresas, são a um custo baixíssimo. Não porque em alguns desses países o custo de vida seja baixo, mas porque não existe qualquer direito fundamental assegurado.
Mas o mais interessante é que, muitas das empresas que se deslocalizaram, tinham, de há anos para cá, políticas de responsabilidade social. Muito bem! E agora? Agradecem o tratamento que estes governos dão com as unhas dos pés aos trabalhadores. Porque, ainda por cima, ninguém se mete com países como a China. Não dá! Não há Instituição europeia ou mundial que lhes ponha freio. Porquê? São poderosos. Porquê? O seu poderio militar é tudo menos de menosprezar.
Poucas notícias nos chegam de lá. Mas, de vez em quando, com mais frequência do que a desejada, mas menos do que o número de vezes em que acontece, chegam-nos notícias dos mineiros que trabalham nas minas chinesas. Uma tristeza!
E se procurarmos e estivermos atentos, vamos vendo como se trabalha na China em termos de produção fabril. E apetece perguntar o que Primo Levi perguntou, embora noutro contexto: ‘Se isto é um Homem…’
Mas o Ocidente, sábio, histórico, virtuoso, que assina essas cartas todas que garantem direitos fundamentais, que faz embargos aqui e além por questões, apenas, de consciência (claro), verga-se.
Diz-me o meu douto colaborador deste blogue que já não será tanto assim como digo: que as empresas ocidentais que para lá vão têm outros benefícios em termos fiscais. Irão, também, reivindicar mais condições até porque, um trabalhador satisfeito rende mais. É um começo. Mas…
Boa Sorte, Madrid!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

E aí vem ele...

'Com fé e confiança, irmãos, partimos a cantar...'

2010 será melhor!

Se cada um de nós for melhor, mais forte e mais participativo!
É preciso acreditar...

EXCELENTE ANO NOVO!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os Meus Votos...

É ciência subir os Himalaias
e criar matemática sem fim
mas é cultura vê-la poesia
e ter os Himalaias dentro de mim
.


- Agostinho da Silva -


FELIZ NATAL!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Natal e... Fernando Pessoa



Poema de Natal

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
‘Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

- Fernando Pessoa -

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Outras Histórias, a Mesma Angústia

Foto de Lúcia. Proibida reprodução

Está a criar-se um Banco de Leite Materno na Maternidade Alfredo da Costa.
Porque há mães com leite a mais e bebés sem ele (ou porque foram abandonados; ou porque as mães são portadoras de doenças impeditivas da amamentação, ou seja lá porquê).
Um dos grupos são os prematuros. Porque este assunto também me toca, acho uma iniciativa brilhante.
A respeito, lembrei-me da tragédia da Escola de Beslan, em 2004 - um dos ataques mais horripilentos de que tenho ouvido. Pelos dias de cativeiro de tantas crianças e pelas condições bárbaras do cativeiro... 341 mortos. Destes, 178 eram crianças.
De todas as histórias comoventes que se cruzaram e que foram contadas num Documentário completo (que não consegui ver na totalidade, pois houve relatos demasiado chocantes) feito por uma cadeia de televisão sobre este massacre, lembrei-me de uma em particular. Vou relatá-la, de memória e em síntese.
Uma mãe aguardava no lado de fora da escola, o final desta história. Quando, por fim, os sobreviventes começaram a fugir e a correr para fora, esta mãe, na confusão, "tropeça"num adolescente em estado de desideratação. Não hesitou em dar-lhe de mamar, embora envergonhada. Diz que foi acto imediato. E o adolescente agarrou-se ao peito como se agarrase a vida.
Esta pequena história não é feliz. Nem a senhora que deu de mamar a contou com qualquer ponta de orgulho. Mas com tristeza.... tanta....
Um Banco de Leite Materno é uma notícia feliz.

Volto a lembrar-me deste texto e das histórias que lá estão quando leio esta terrível notícia sobre o sequestro numa escola nas Filipinas. Parece tão longe... mas não é!