segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Resultados das Eleições 2009 - Ganharam? Quem?!




É com insatisfação, mas com todo o espírito democrático (seja lá isso o que for neste momento) que faço o seguinte anúncio:
Quem ganhou as eleições foi:
O CDS/PP

Vale a pena tirar os óculos das várias cores para ver que, entre 2005 e 2009 a evolução do nº de deputados foi a seguinte:
1 – O PS passou de 120 deputados para 96;
2 – O PSD passou de 72 para 78 – Aumentou? Sim, mas bem longe dos objectivos traçados, principalmente, o de ganhar as eleições;
3 – O CDS passou de 12 para 21
4 – O BE Duplicou os 8 que tinha. Ganhou, agora, 16 mas não lhe chegam para fazer mossa. E não chegam a 3ª força política no país, como queriam!
5 – A CDU passou de 14 para 15 deputados. Ultrapassada pelo BE e CDS, a CDU esperava um resultados, francamente melhor!

Bem vistas as coisas, todos ganharam deputados, à excepção do PS que, perdendo-os, perdeu, também, a maioria absoluta. (Há, também, não esquecer os cerca de 700 000 novos eleitores relativamente a 2005).
Mas, em resultados concretos, em objectivos conquistados, ganhou o CDS.
O único objectivo conquistado por parte de todos os outros partidos da oposição foi a retirada da maioria absoluta ao PS.

E agora, quando o Sócrates espirrar, é ao Portas que vão estender o lenço de papel!

Ainda há quem pense que o PS ganhou?! Não – o PS também perdeu. Vai formar governo, mas fragilizado. Vamos ver a que teorias demagógicas se submeterá para fazer passar as suas propostas! (Viram bem os cartazes exibidos, durante a campanha, pelo CDS?! Não eram só demagógicos: eram intelectualmente desleais).
E, por favor, nem que seja só para me assustar, não me falem de uma governo coligação PS/CDS!
Já basta o que basta!
 O meu desejo sincero: que as esquerdas sejam razoáveis e se entendam, de vez, neste país!

13 comentários:

Maria disse...

Tendo em conta a aritmética e os objectivos a que os vários partidos se propuseram, eu digo que quem perdeu as eleições foi o PS. Que vai formar governo.
Artimeticamente falando, todos os outros ganharam. Em termos de objectivos, ganhou o CDS, o Bloco e a CDU.
Tenho apenas uma preocupação: o CDS (com toda a direita dentro) ocupar neste momento o 3º lugar no parlamento, em legislatura de revisão constitucional...

Beijo

LuNAS. disse...

Maria
Todos perderam. Porque todos traçaram objectivos mínimos. Que atingiram, em quase todos os casos. Mas soube a pouco!
O resultados do CDS, ao contrário, soube a ...demais!
C'est la democracie...e por vezes é assim que sai!
Beijinhos

Justine disse...

Pode ser que assim, sem maioria absoluta, o PS perca a sua arrogância e comece a ouvir os outros, os trabalhadores de todos os sectores descontentes com a sua política anti-social. Pode ser!!
Ah, se as esquerdas se entendessem...

LuNAS. disse...

Justine
Tal e qual o que penso: a única maneira de governar democraticamente é sem amioreias absolutas e tentando negociações justas entre todos. Desde que o interesse do país se ponha atrás dos partidários... Dizem-me que é utópico.

Violeta disse...

Estou mesmo ansiosa por ver o que aí vem...
Mas sim, concordo, todos perderam.
Bjs querida Lúcia

Anónimo disse...

Infelizmente a esquerda não se entende, Lúcia. Resta-nos a esperança de ser lúcida...
Penso qeu o país ficou a ganhar ontem. As maiorias absolutas nunca trouxeram nada de bom e a necessidade de garantir a legislatura até ao fim, deverá tornar Sócrates menos arrogante.

Unknown disse...

Lucia amiga

Venho retribuir a tua visita.
Embora já tenhamos falado por mail e sabes que concordo com as análises aqui feitas também sabes de outras coisas que te disse sobre o meu desencanto e descrença destas coisas.
Sabes, depois de termos falado, o meu Gwyn, cão anarca e doutorado em Ciência Plítica e único conselheiro que ainda sigo, diz-me:
- Disseste-lhe que todos ganhara e que também não perdeu a ARROGÂNCIA? Que ainda votaram na arrogância?
Como vês, até o meu cão topa, istó é, principalmente ele...
Um beijo.
Eduardo

LuNAS. disse...

Violeta
Há quem não dê mais de 2 anos para novas eleições.
beijinhos

Carlos
Eu também acho que a melhor maneira de a democracia se fazer valer é sem maiorias absolutas.
O problema é que os políticos não sabem negociar em nome do povo, mas em nome das partidarites.
A ver...

Eduardo
Olha, foste uma surpresa por aqui, bem sabes;
E o teu Gwyn é sabedor, sim!:)
A arrogância terá que ser emtida na gaveta. Ainda que a contra-gosto. Digo eu...

Um beijinho e... obrigado:)

Antuã disse...

Lamento mas não estou a ver o Sócrates a dar um mínimo passo para uma política realmente de esquerda. E sendo assim...

amigona avó e a neta princesa disse...

Isto era imaginar que estamos a falar de pessoas/forças políticas responsáveis, íntegras e sérias! Mas o problema é bem mais complicado...

LuNAS. disse...

Antuã
Mas tenho pena que não possa haver entendimento. Sinceramente, tenho.

Amigona
Infelizmente, tens razão: mas os obstáculos estão lá para serem ultrapassados. Serão?

Alexandre disse...

O PS ganhou meus senhores, ou será que os resultados foram impressos em tinta invisível? Com a legislatura passada, cheia de medidas duras mas necessárias, que mexerem nas intocáveis classes profissionais públicas, nos nossos “queridos” e “sensíveis” professores nomeadamente, mas também nos médicos, polícias, etc por ai fora. Com um contexto de crise internacional, que não permitiu fazer mais, mas onde mesmo assim se fez muito.

O PS e Sócrates ganharam e ganharam num resultado extraordinário, ou já ninguém se lembra do violento susto que íamos tendo com a, até à bem pouco tempo, possibilidade real da velha ganhar isto?

Tenham dó, e paremos de fazer continuas analises que só não analisam o facto do PS ter ganho. Sem maioria absoluta? Ok, concordo que a, ainda jovem, Democracia Portuguesa tem pouca tradição de negociação, mas talvez seja altura de começar a ter. Não é natural em lado nenhum, ter que andar a garantir maiorias absolutas para governar. A política é compromisso, o PS que negoceie com o PSD, o PCP ou o CDS. Com o louco do louça e o seu BE, e o chorrilho de disparates contínuos que mandam cá para fora até tenho medo, tanto mais que o homem declarou quase imediatamente não ter qualquer responsabilidade de estado (que se traduz em defender os interesses do pais acima de outras coisas), pois rejeita coligações e não está predisposto a assumir compromissos razoáveis, apenas está cá na fácil tarefa do bota abaixo e de dizer mal.

Não sou tão de esquerda que fique assustado com um acordo com o CDS. Espero que o PSD mude de liderança, e aparece alguém novo, sem crispações, e com responsabilidade, para fazer esse acordo, que é o que prefiro. Tinha esperança que o acordo também pudesse ser com a esquerda, com o PCP nomeadamente, porque vejo impossível qualquer acordo com os arruaceiros do BE.

LuNAS. disse...

Alexandre
Já sabes o que penso e na generalidade de quase tudo o que escreveste, discordo, como muito bem sabes! Mas há uma coisa em que concordo contigo e que é muito importante:
'Ok, concordo que a, ainda jovem, Democracia Portuguesa tem pouca tradição de negociação, mas talvez seja altura de começar a ter. Não é natural em lado nenhum, ter que andar a garantir maiorias absolutas para governar. A política é compromisso, o PS que negoceie com o PSD, o PCP ou o CDS.'
Escreveste tu, resumidamente, mas bem, o motivo pelo qual eu não gosto de maiorias absolutas.

Agora falta senso a esta gente para negociar. Ou maturidade democrática, sim.

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