quarta-feira, 8 de julho de 2009

Quem Anda ao Sol...


Na praia salta-me à vista que cada vez mais se vêem:

- homens ou mulheres sozinhos - o que denota alguma tendência para um certo celibato, ainda que temporal;

- crianças acompanhadas por um homem OU mulher, ou avós...;

- mulheres na companhia de outras;

- homens sozinhos;

Cada vez menos:

- Mulher+homem+crianças - todas juntas no mesmo cantinho de areia.

E as que se vêem não trazem escrito na testa se é a família - digamos - 'original', ou se já são 'os meus,os teus e os nossos filhos'.

Ou é só nas praias que frequento que as mudanças estruturias da família e dos relacionamentos andam escarrapachadas ao sol?

15 comentários:

Torcato disse...

Homens sós? Olhe que não...:))

Maria disse...

Reflexo da sociedade que somos...

Beijos

LuNAS. disse...

Torcato
Olhe que sim:)

Maria
Até na areia se vê, né?

duarte disse...

pois os afectos...tudo gira à volta de um bem estar, onde cada vez mais se inibe o BELO trocando por o confortável...
será um regresso à condição animal?
se assim fôr, tanto melhor, porque gradualmente passaremos a perder o que nos diferencia dos outros gêneros, e passaremos a ser felizes e contentes...se ainda cá estivermos.
abraço lúcia

Luis Eme disse...

tens razão, Lúcia.

mas vêm-se mais mulheres sozinhas porque gostam mais do ar bronzeado e são mais independentes...

os homens sozinhos não se sentem muito à vontade na praia, preferem uma esplanada qualquer...

bjs

LuNAS. disse...

Duarte
Vejo algum optimismo nas tuas palavras. Não estou tanto. Acho que estamos nua fase em que as pessoas se estão, constantemente, a organizar. E isso vê-se também noa afectos. E nos entretantos, vai havendo de tudo: até alguma solidão.

Abraço

Luís
Também é verdade -as esplanadas à beira mar têm uns poucos.
Beijos

Mírtilo MR disse...

Lúcia:

Concordo com as suas observações, o que não se verifica só nas praias, também em jardins, em parques infantis, etc.
É a desagregação fácil das famílias, sobretudo de casais jovens, com separações por tudo e por nada, e depois o respectivo divórcio, que agora está muito facilitado.
Esta desagregação familiar, como se sabe, é fruto de toda uma grande liberdade em desfazer compromissos, tantas vezes sem qualquer aceitável justificação, tudo próprio desta época civilizacional que se vive actualmente.
É muito bom este seu «post» pela originalidade que tem e sobretudo por apontar para um grande problema familiar e social.

Um beijinho amistoso para si.
Mírtilo

Antuã disse...

E a flexibilidade laboral não tem nada a ver com isto?!...

Unknown disse...

Sociedade em transição. Novo conceito e familia. escoberta e que há a família os afectos e há a família com ligações de sangue. Nova maneira se encarar o amor. Libertação os laços formais quanytas vezres sem amor. A procura da solidão como escoberta e aprofundamento da interioridade ( conhecer-se a si próprio). A solião não existe nas famílias? Tnta coisa que podera ser dita!!! Quem procura a companhia sistemática dos os...tem medo de estar só? Porquê?
Bejo, rosmaninha. Faz a análise sociológica, mas não esqueças a psicossociolgia e a psicolohgia das profunidades

Unknown disse...

Desculpa mas o teclado está a comer o d...

LuNAS. disse...

Mírtilo
Se, por uma lado, a liberdade também chegou aí - a novas dinâmicas nos relacionamentos, também acho que são verdades 2 aspectos (resumidamente):
1 - As pressões (laborais, monetárias, etc)têm tomado conta das pessoas e reflectem-se em todas as esferas das suas vidas;
2 - Apesar do nº de divórcios e separações e novas formas de famílias terem aumentado, e conhecendo eu muitas pessoas que já passaram por isso, nunca vi nenhuma que se tivesse manifestado feliz com a situação. É sempre constrangedor.
E depois há outro aspecto: quantos e quantos casais estiveram juntos anos, décadas apenas por pressões sociais, sem que, dentro deles, já nada pedisse água um ao outro (como diz o poeta)?
Há novas formas de família, há gente mais só ou gente que passa fases de mais solidão. Porque, essencialmente, a adaptação à vida, nos tempos que correm, é uma constante. E isso, por si só, desestabiliza!
Beijinho, Mírtilo

Antuã
Claro que tem. E mais, antes, normalmente, a mulher tinha o papel afectivo na família. Hoje, também o tem monetário e também procura a sua realização. E, nos tempos que correm, nada disso é fácil para o homem ou para a mulhar. Há muito a fazer em termos de direito laboral. Mas,a cima de tudo, em termos de mentalidade, pois muitos direitos não são postos em prática com receio do despediemnto. É uma pressão constante. Tudo isso mói, claro.

Eduardo
Se calhar, a pior solidão é a que existe dentro de algumas famílias. O estar-se só, sem se estar. É outra pressão enorme. Aí, nem espaço há para a descoberta; para a reflexão. Quantas e quantas não estão assim... 'Tanta coisa podia ser dita'! POis...
Beijitos

Cristina disse...

É engraçado, mas eu tenho uma ideia um pouco diferente da sua, Lúcia...pese embora a grande diversidade dos núcleos familiares actuais, que não correspondem, de todo, às famílias de há 15 anos atrás, o certo é que acho que, cada vez mais certas actividades são feitas "em família", seja uma ida à praia, um passeio no jardim ou uma ida ao pediatra (ou antes disso, ao obstetra!). Se, por exemplo me reportar à minha geração, vejo que o meu Pai (como a generalidade dos pais das pessoas que me rodeavam)teve uma participação em certas areas, muito inferior à dos pais actuais, sejam estes casados ou não com as mães e vivam, ou não, em conjunto.
Um post muitissimo interessante, Lúcia!!!

LuNAS. disse...

Cristina
Também concordo consigo. E olhe que nem vai contra o que digo antes. Porque também acho que hoje o papel de cada membro é muito activo, como bem explica. Antes, era visível uma maior divisão: mãe com papel afectivo; pai com o papel instrumental. Já não é assim. Com tudo o que isso tem de bom ( e tem imenso) e com tudo o que essa mudança originou, primeiro nas próprias pessoas, depois, nos relacionamentos entre elas. E isso é visível à nossa volta. Mas que todos exercem um papel mais participativo... ai disso não tenho dúvidas!

Lucília Benvinda disse...

Achei imensa piada a este post, tanto pela fotografia como pelo texto.

Sem dúvidam Lúcia, andam muitos chinelos sem par...!

Lucy

LuNAS. disse...

Lucy
'chionelos sem par':) - achei piada!:))

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