
Na praia salta-me à vista que cada vez mais se vêem:
- homens ou mulheres sozinhos - o que denota alguma tendência para um certo celibato, ainda que temporal;
- crianças acompanhadas por um homem OU mulher, ou avós...;
- mulheres na companhia de outras;
- homens sozinhos;
Cada vez menos:
- Mulher+homem+crianças - todas juntas no mesmo cantinho de areia.
E as que se vêem não trazem escrito na testa se é a família - digamos - 'original', ou se já são 'os meus,os teus e os nossos filhos'.
Ou é só nas praias que frequento que as mudanças estruturias da família e dos relacionamentos andam escarrapachadas ao sol?
15 comentários:
Homens sós? Olhe que não...:))
Reflexo da sociedade que somos...
Beijos
Torcato
Olhe que sim:)
Maria
Até na areia se vê, né?
pois os afectos...tudo gira à volta de um bem estar, onde cada vez mais se inibe o BELO trocando por o confortável...
será um regresso à condição animal?
se assim fôr, tanto melhor, porque gradualmente passaremos a perder o que nos diferencia dos outros gêneros, e passaremos a ser felizes e contentes...se ainda cá estivermos.
abraço lúcia
tens razão, Lúcia.
mas vêm-se mais mulheres sozinhas porque gostam mais do ar bronzeado e são mais independentes...
os homens sozinhos não se sentem muito à vontade na praia, preferem uma esplanada qualquer...
bjs
Duarte
Vejo algum optimismo nas tuas palavras. Não estou tanto. Acho que estamos nua fase em que as pessoas se estão, constantemente, a organizar. E isso vê-se também noa afectos. E nos entretantos, vai havendo de tudo: até alguma solidão.
Abraço
Luís
Também é verdade -as esplanadas à beira mar têm uns poucos.
Beijos
Lúcia:
Concordo com as suas observações, o que não se verifica só nas praias, também em jardins, em parques infantis, etc.
É a desagregação fácil das famílias, sobretudo de casais jovens, com separações por tudo e por nada, e depois o respectivo divórcio, que agora está muito facilitado.
Esta desagregação familiar, como se sabe, é fruto de toda uma grande liberdade em desfazer compromissos, tantas vezes sem qualquer aceitável justificação, tudo próprio desta época civilizacional que se vive actualmente.
É muito bom este seu «post» pela originalidade que tem e sobretudo por apontar para um grande problema familiar e social.
Um beijinho amistoso para si.
Mírtilo
E a flexibilidade laboral não tem nada a ver com isto?!...
Sociedade em transição. Novo conceito e familia. escoberta e que há a família os afectos e há a família com ligações de sangue. Nova maneira se encarar o amor. Libertação os laços formais quanytas vezres sem amor. A procura da solidão como escoberta e aprofundamento da interioridade ( conhecer-se a si próprio). A solião não existe nas famílias? Tnta coisa que podera ser dita!!! Quem procura a companhia sistemática dos os...tem medo de estar só? Porquê?
Bejo, rosmaninha. Faz a análise sociológica, mas não esqueças a psicossociolgia e a psicolohgia das profunidades
Desculpa mas o teclado está a comer o d...
Mírtilo
Se, por uma lado, a liberdade também chegou aí - a novas dinâmicas nos relacionamentos, também acho que são verdades 2 aspectos (resumidamente):
1 - As pressões (laborais, monetárias, etc)têm tomado conta das pessoas e reflectem-se em todas as esferas das suas vidas;
2 - Apesar do nº de divórcios e separações e novas formas de famílias terem aumentado, e conhecendo eu muitas pessoas que já passaram por isso, nunca vi nenhuma que se tivesse manifestado feliz com a situação. É sempre constrangedor.
E depois há outro aspecto: quantos e quantos casais estiveram juntos anos, décadas apenas por pressões sociais, sem que, dentro deles, já nada pedisse água um ao outro (como diz o poeta)?
Há novas formas de família, há gente mais só ou gente que passa fases de mais solidão. Porque, essencialmente, a adaptação à vida, nos tempos que correm, é uma constante. E isso, por si só, desestabiliza!
Beijinho, Mírtilo
Antuã
Claro que tem. E mais, antes, normalmente, a mulher tinha o papel afectivo na família. Hoje, também o tem monetário e também procura a sua realização. E, nos tempos que correm, nada disso é fácil para o homem ou para a mulhar. Há muito a fazer em termos de direito laboral. Mas,a cima de tudo, em termos de mentalidade, pois muitos direitos não são postos em prática com receio do despediemnto. É uma pressão constante. Tudo isso mói, claro.
Eduardo
Se calhar, a pior solidão é a que existe dentro de algumas famílias. O estar-se só, sem se estar. É outra pressão enorme. Aí, nem espaço há para a descoberta; para a reflexão. Quantas e quantas não estão assim... 'Tanta coisa podia ser dita'! POis...
Beijitos
É engraçado, mas eu tenho uma ideia um pouco diferente da sua, Lúcia...pese embora a grande diversidade dos núcleos familiares actuais, que não correspondem, de todo, às famílias de há 15 anos atrás, o certo é que acho que, cada vez mais certas actividades são feitas "em família", seja uma ida à praia, um passeio no jardim ou uma ida ao pediatra (ou antes disso, ao obstetra!). Se, por exemplo me reportar à minha geração, vejo que o meu Pai (como a generalidade dos pais das pessoas que me rodeavam)teve uma participação em certas areas, muito inferior à dos pais actuais, sejam estes casados ou não com as mães e vivam, ou não, em conjunto.
Um post muitissimo interessante, Lúcia!!!
Cristina
Também concordo consigo. E olhe que nem vai contra o que digo antes. Porque também acho que hoje o papel de cada membro é muito activo, como bem explica. Antes, era visível uma maior divisão: mãe com papel afectivo; pai com o papel instrumental. Já não é assim. Com tudo o que isso tem de bom ( e tem imenso) e com tudo o que essa mudança originou, primeiro nas próprias pessoas, depois, nos relacionamentos entre elas. E isso é visível à nossa volta. Mas que todos exercem um papel mais participativo... ai disso não tenho dúvidas!
Achei imensa piada a este post, tanto pela fotografia como pelo texto.
Sem dúvidam Lúcia, andam muitos chinelos sem par...!
Lucy
Lucy
'chionelos sem par':) - achei piada!:))
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