(Salvador Dalí - Dalí from the Back, Painting Gala from the Back, Eternalised by Six Virtual Corneas Previously Reflected in Six Real Mirrors (Unfinished) (1972-73) - Oil on canvas) - Provavelmente, este quadro e a legenda, resumem de forma magnífica, tudo o que eu pudesse querer dizer.
Hoje queria fazer o texto mais lindo que já alguém fez sobre a vida. O mais pungente, o mais arrebatador; o mais apaixonado e apaixonante; que fizesse rir e fizesse chorar e fizesse pensar...
Para isso, teria que passar a minha vida em revista. Não gosto de o fazer. Porque aquilo que facilmente nos ocorre na memória são os cenários alegres e cheios de luz; as personagens que nos povoam as lembranças são sempre as fadas boas e os princípes encantados; os nossos olhos brilham ao voltarem a soar nos nossos ouvidos as canções que cantámos, os gritos e gargalhadas de pueril alvoroço em qualquer lugar deste mundo por onde passámos, o calor de um cacau quente e da boa companhia numa tarde de neve, frio, mas ardente...
O resto? A tendência não é ir buscar, a tendência não é aparecer na nossa testa. Mas, se passarmos a vida em revista por breves instantes, vemos os cenários pintados de cores escuras que nos cercaram, aparecem as bruxas más e os duendes endiabrados que nos passaram rasteiras e nos magoaram; aqueles a quem nós magoámos e que partiram de nós e nós deles; aparecem os erros; as más escolhas; aparecem as lutas - lutas por um futuro melhor, luta por um emprego, luta por fazer esticar o dinheiro até ao fim do mês, luta pela vida dos que amamos, luta por sermos melhores a cada dia que passa, reciclando os erros, luta por nos perdoarmos a nós mesmo pelos erros cometidos, luta pelo amigo que também luta e estamos com ele...
Dizem que quando estamos perante uma situação de perigo em que a morte ronda, nos passa a vida pela frente. Já estive. Quase me ia afogando e, às tantas, convenci-me, debaixo de água, de que já nada nem ninguém me tirariam dali! O que me passou pela cabeça? A frustração de saber que o meu possível salvador estava SÓ perto da outra margem do rio (portanto, perto de mim) e não me conseguiria salvar a tempo. Nada, mas mesmo nada mais me passou pela cabeça a não ser aquele momento em que vim à tona a última vez e, aflita, vejo o meu irmão na outra margem, com o braço no ar a chamar o meu nome. 'Não tenho hipótese; ele está muito longe. Não vai chegar a tempo'. Chegou! Como chegou em outras ocasiões com outras gentes. Como me tem chegado, desde aí para cá, em outras situações. Ele e tantos e tantas outras.
Para isso, teria que passar a minha vida em revista. Não gosto de o fazer. Porque aquilo que facilmente nos ocorre na memória são os cenários alegres e cheios de luz; as personagens que nos povoam as lembranças são sempre as fadas boas e os princípes encantados; os nossos olhos brilham ao voltarem a soar nos nossos ouvidos as canções que cantámos, os gritos e gargalhadas de pueril alvoroço em qualquer lugar deste mundo por onde passámos, o calor de um cacau quente e da boa companhia numa tarde de neve, frio, mas ardente...
O resto? A tendência não é ir buscar, a tendência não é aparecer na nossa testa. Mas, se passarmos a vida em revista por breves instantes, vemos os cenários pintados de cores escuras que nos cercaram, aparecem as bruxas más e os duendes endiabrados que nos passaram rasteiras e nos magoaram; aqueles a quem nós magoámos e que partiram de nós e nós deles; aparecem os erros; as más escolhas; aparecem as lutas - lutas por um futuro melhor, luta por um emprego, luta por fazer esticar o dinheiro até ao fim do mês, luta pela vida dos que amamos, luta por sermos melhores a cada dia que passa, reciclando os erros, luta por nos perdoarmos a nós mesmo pelos erros cometidos, luta pelo amigo que também luta e estamos com ele...
Dizem que quando estamos perante uma situação de perigo em que a morte ronda, nos passa a vida pela frente. Já estive. Quase me ia afogando e, às tantas, convenci-me, debaixo de água, de que já nada nem ninguém me tirariam dali! O que me passou pela cabeça? A frustração de saber que o meu possível salvador estava SÓ perto da outra margem do rio (portanto, perto de mim) e não me conseguiria salvar a tempo. Nada, mas mesmo nada mais me passou pela cabeça a não ser aquele momento em que vim à tona a última vez e, aflita, vejo o meu irmão na outra margem, com o braço no ar a chamar o meu nome. 'Não tenho hipótese; ele está muito longe. Não vai chegar a tempo'. Chegou! Como chegou em outras ocasiões com outras gentes. Como me tem chegado, desde aí para cá, em outras situações. Ele e tantos e tantas outras.
Conheci tantas pessoas... conheço tantas. Às vezes, no trânsito numa qualquer autoestrada, penso naqueles que ultrapasso ou que me ultrapassam. Que histórias levarão consigo? Para onde vão? Felizes ou nem por isso? Quem é, para onde vai e o que aspira toda este gente que comigo se cruza, na autoestrada, na área de serviço, no aeroporto... Curioso - este tipo de pensamentos ocorre-me mais em circulação e quando vejo gente em circulação. Gente, tanta gente que tem passado pela minha vida... fazem todos parte de mim? Muitos, sim. Da minha história, dos meus actos; dos meus carinhos e confissões... das minhas trombadas na vida, também. Por vezes levei, outras dei - nem sempre levei justamente; nem sempre dei justamente.
Queria fazer o texto mais lindo, pungente, arrebatador, apaixonado e apaixonante sobre a vida.
Não posso. Pelas limitações da qualidade literária que me reconheço, mas, sobretudo, porque o texto mais marcante está escrito, sim, e vai-se escrevendo, na minha pele.
É por estas e por outras que esta música, em baixo, vai mexendo comigo.
8 comentários:
Quem disse que não? Belo texto.
Já agora uma curiodidade: eu, que sei nadar, já estive a morrer afogado e já salvei duas pessoas, em diferentes momentos, que estavam trestes a afogar-se. A primeira situação explica-se pelo facto de ao saltar de uma prancha para o rio ter dado uma cabeçada no fundo e ficar semi-inconsciente, cabeçada em tudo semelhante àquelas que damos na vida...
Abreijos.
UI, salvo - que susto! Pelo que vejo, safaste-te:)
Eu até estava perto da margem, mas havia uns remoinhos que não me deixavam mexer. ...semelhante àqueles que vamos encontrando pela vida:)É para os afastar que aprendemos a nadar!:)
Beijos e bom fim de semana
e como a tua pele é bonita...
bjs Lúcia
Oh, Luís, blush, blush...:)Mas isso, o futuro dirá;)
Beijinhos e bom fim de semana
Minha querida, gostei.
O texto mais lindo que já alguém escreveu é a utopia da escrita. Até pela relatividade que encerra... apenas podemos ir conseguindo aproximações, mais para uns do que outros.
Beijo NN
Nuno:)
... e tu sabes, sim.:)
Beijonn
Dizer que esta musica da sr.a Carlile mexe comigo talvez seja um lugar comum, mas o facto é que mexe bastante comigo. Tanto a musicalidade com momentos calmos e mexidos aliados à vibrante letra. Tragicamente ou não, vou também vendo a minha vida na letra, é a vida. Beijinhos
Alexandre:
Ele é os tons mais baixos, ele é as vibrações mais altas... E as vibrações que provoca cá dentro do peito? E isto com o som das ciolunas a considerável volume que nem vemos mais nada senão a nossa vidinha passar ao som desta menina?!
É daquelas músicas é... e ainda nem chegámos aos 40. Lá chegaremos. E outras músicas nos farão vibrar!
Beijinhos
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