... e veio toda a viagem atrás de nós. Saímos pelo início da noite. Que agora, neste meio de Primavera, ainda é claro. À nossa frente as montanhas desenhavam-se, escuras e pintavam-se de preto. Do limite do desenho saía o céu. Muito claro, primeiro, azul e branco, alaranjado à medida que avançávamos. E o tempo que não pára. Por isso, a meio da viagem, já quase tudo era escuro. Nem tudo. Porque a lua está em quarto crescente. Luz ténue mas presente; suave, mas ternurenta. Quase quente.
Olhei para o banco de trás por carências maternais dos viajantes. E vi os seus cabelos e rostos iluminados por uma luz branca. Mansa. Mas suficiente para ver as expressões dos olhos de quem ainda não tinha adormecido. Na cria adormecida, apreciei essas duas meias luas perfeitas delineadas em seu rosto e a boca e o nariz e a nesga de cabelo que caía em anel pelo ombro fazendo uma sombra na face. Num minuto, passa-nos a vida pela frente: como foi antes, depois, agora e como será quando aquelas bocas já não forem minhas, quando já não for eu a pentear os seus cabelos, quando o tempo que agora dispendem a fazer desenhos para o pai e para a mãe forem dispendidos para outros... encantos! Não tenho pressa, portanto. Que todas as estrelas iluminem os seus passos, os seus encontros, as suas decisões. Sabedoria, Força e Beleza - é tudo o que lhes desejo. E que nós consigamos encaminhá-los para as fontes de tão preciosos bens.
Dizem os entendidos da matérias (psicólogos, pedopsiquiatras, etc.) que um dos sinais mais evidentes de que as crianças se sentem amadas e se sentem confortáveis na sua casa é desenharem FUMO a sair das chaminés, quando desenham as ditas nos telhados. A Educadora chamou-me a atenção: 'a sua filha desenha chaminés nas casas todas e Fumo em todas elas'!
Que eu seja sempre merecedora destes fumos - 'Habemos figlia'! -;)
6 comentários:
Que belo texto... pois é, os filhos crescem e depois vêm os outros (os netos) para nos voltarmos a deliciar com a ilusão de que "são nossos" até... crescerem mais um pouco...
A lei da vida!
Beijos
Que tristonho seria o mundo sem casas com chaminés a deitar fumo. Quando as desenhava às vezes punha o fumo contra o vento, vá-se lá saber porquê.
Abreijos.
Gostei do teu texto. Cheio de amor. Porque há amor... há fumo nas chaminés. Não são nossos, não, são do universo, os nossos filhos. Mas é bom que desenhem os fumos. Um dia voarão como os fumos. E nós, felizes, ficaremos, ao vê-los, livres. Com eles nos nossos corações. Não são nossos, não. Estão connosco apenas para que os ensinemos a voar. Beijos.
Quem olha assim, e descreve, e fala e sente desta forma, será com toda certeza, merecedora desses fumos...
Até lá, que seja vivido cada minuto, embrenhado em puro Amor...O maior deles.
Intensos.
Beijinhos Amiga Lúcia.
Li ternura neste texto e vi fumo no teu ninho!
É tão bom senti-los debaixo da nossa asa, mas...voarão certamente, bem alto...e nós gostamos de vê-los!
Beijos
Maria
Esta lei às vezes é chaaatttaaa:(
Beijinhos
Salvo
Punhas o fumo ao contrário? Não me admira:) Deve haver uma boa explicação, com certeza! O importante é que este estava lá.
Beijos
Eduardo
'Estão connosco até os ensinarmos a voar' - pois... Mas não tenho pressa de que voem...
Beijinhos
Lorenzo
:)Thnak's! A ver vamos se colocarei bem a lenha para que arda como deve ser! O futuro dirá.
Beijocas
Profeta
:)
Obrigado pelas palavras. e pela visita.
Ausenda
.. e que sejam voos sem grandes quedas. Porque quedas vão ter de certeza -
Beijinhos
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