
Quando do rio nasce a aldeia; olhamos, no silêncio da noite cintilada de pequenos pós de luz a luminosidade, parca, e absolutamente morna que nos envolve. Esse silêncio que se ouve, que se sente, que se vê. Claramente. Nossos olhos pousam no rio onde as mansas correntes vão empurrando a nossa vida em breves e curtas ondas. Que vamos vendo. Como se a vida não fosse nossa. O rio é a tela. Por lá nos vemos. Disformes, mais claros ou não conforme a luz que, tropeçando, vai derramando nas águas. Não nos afastamos porque sabe bem olhar o rio que assim lava pequenos bocados da roupa com que se veste a nossa pele. Roupa velha, esburacada e suja. E também encharpes tecidas com o mais fino dos linhos. Que o rio lava. Nós, na torrente do caminho, voltamos a vestir essa roupa; mais mansos, mais sábios. Calmamente... e largamos o passo seguro por sobre a pedra do chão. Com o castanho fervente dos olhos querendo a calma mansidão ilusório daquele verde. Na esperança de que ele nos mostre a foz, onde...
Ai, este Douro...
10 comentários:
Tanta vindima vindimada, tanta pesca realizada...
É sítio que não posso esquecer. Muitos anos por ali passados.
Excelente texto, excelente foto.
Abreijos.
Salvo
É o Douro, rio de tantas angústias e deuma beleza rara! E é o Carnaval sossegado, longe da cidade do Carnaval:)
beijos
Ai esse Douro...
Que foto fantástica!
Um beijo
O Douro de tantos viveres, sempr o mesmo e nunca igual.
Uma realidade e o seu reflexo, como mostra a tua excelente fotografia.
Sabes, Lucialima, que sou um apaixonado do Douro. Desde que o descobri... já fui lá três vezes. A viagem do Porto até à Régua e mais para cima. E a ida ao Douro Internacional: é das coisas mais lindas do mundo. Por isso fiquei muto contente por ler-te. E do modo sensível como o fazes. O teu blogue está diferente do outro. Mais íntimo, natural, cor de pele, voz do coração, peixe de água, flor do campo. Pareces um corpo com sinais castanhos de erotismo no falar. Beijos, e dá beijos meus ao rosmano. E quem te manda beijos são os aloendros. E as primeiras flores da primavera.
Eduardo
É pá! Não sou mau. Não quero ser mau. Mas foram 5-0. Sofreste? Também eu. Recebi 2 sem resposta. Com aquele Paulo Vento...Prefiro certo pelo na venta. Este, sei eu, imagino, que tem mel por dentro. Mas porra! Cinco é demais...
Queres um chazinho? Um licorzinho? Um ...inho, inho, vai-te deitar, pro teu ninho...
Beijinho.
De águia.
EA
"Nós, na torrente do caminho, voltamos a vestir essa roupa; mais mansos, mais sábios. "
A vida como fonte de aprendizagem. O rio como testemunha, ou ainda, fonte também...
Grande é, esta jornada.
Maria
Quantas vidas encerra este Douro...literalmente! tem uma beleza trágica.
Beijinho
Justine
É verdade - sempre o mesmo e nunca igual. Naquele rio sentimos a vida passar.
Eduardo
E tu, sempre de uma amabilidade quente nas tuas palavras! Sim, acho que este blogue, nesta nova fase, está mais íntimo. Mas porque tem calhado. Até eu já tenho saudades da outra Rosmaninha:))
E este Douro, sempre sempre de ouro:)
Beijinhos
Sr. Eduardo Aleixo
Fique sabendo que li os comentários pelas 9 da manhã. E fique sabendo também, para o seu gáudio que foi por Sª Exª que soube que tinham sido...5! Acredita que aos 3 já não ouvi mais nem quis saber mais! Eis que chego ao meu Rosmaninho e dou com a Sua notícia. Então obrigadinho, Grande Águia, pelas boas novas logo pela manhã! :)
Mas olha, o meu Sporing tem essa característica: ora apanha 5 ora dá 6 sem resposta! É uma emoção só! 'Só eu sei porque não fico em casa:)))'
Rugidinhos que estou com catarrito
Lorenzo
É grande esta jornada, sim. E muitas fontes onde bebemos são inquinadas. Mas cá estamos; abertos a todas as águas, aprendendo a distinguir as melhores, mas sempre com tentação para as turvas. É o tal 'amar o desconehcido':)
Desculpa-me entrar assim sem ser convidada. Vim pela janela da Casa de Maio e porque vi lá teu comentário "E as mimosas já exalam":)). Acho-as lindas e segui a trilha de quem o escreveu.
Quando chego aqui vejo o Douro, que para mim é a porta de entrada de Portugal. Todas as vezes em que o avião sobrevoa o rio digo:
"Estou em casa"!
boa tarde, e se quiseres ir á árvore, serás bem recebida.
Pitanga Doce
Pitanga
Não precisas pedir licença para entrar: é só arrombar a porta:)
Ainda bem que gostas do Douro e que, de alguma forma, to levei:9
Feliz por isso.
Um beijinho e vem sempre que te apetecer.
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