terça-feira, 25 de novembro de 2008

Carta


Nenhuma morte apagará os beijos

Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas clandestinas da grande cidade livre
estarão sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijamos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida e atormentada
desvendará em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paixão os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível


Joaquim Pessoa


The Heart Ask Pleasure First - Michael Nyman

31 comentários:

Anónimo disse...

A paixão. Que bom viver com ela.
Mas este post ficava bem era com a música do Emmanuel. Lembra-se do filme?:)) Desculpe a sugestão.

Anónimo disse...

Fernando C
O filme é-me anterior)). Mas claro que me lembro. E lembro-me melhor da música, sem dúvida, de que gosto muito. Muitos urros (ok, pronto, gemidos) para um post que, acima de tudo, se quer ternurento!:)))

Anónimo disse...

Paixão tem um defeito: queima-se depressa.


Neste Dia contra a Violência de Género te deixo votos de paz com a vida e com o universo.


Bem hajas!

Anónimo disse...

Joaquim Pessoa, tantas vezes esquecido. Que bom lê-lo aqui. Apaixonadamente. Como tudo o que faço na vida :-D

Anónimo disse...

São
A paixão permanente sim, passa - aquela que nos deixa com as pernas bambas bastando para isso acordar!:))
Mas que saibamos encontrar muitos momentos de paixão. Não é fácil, não.

Boa lembrança a tua - a violência do Género. Sabes que foi na área da Sociologia do Género que finalizei a licenciatura - com aquele mega trabalho de investigação que nos consomem dias, noites e anos (1 não chegou). É-me caro o assunto.

Obrigado pelos teus votos. São os meus, também, para ti. Sabes disso ;)

Um beijinho grande, grande


Anamar
Joaquim Pessoa é um dos poetas que mais gosto. De escrita arrabatadora. Apaixonada...como nós;)

Anónimo disse...

Tenm(s) razão (que letra deito abaixo?;). Poema sereno para tamanhos gemidos do Emmanuel!
Sendo Carta, haverá destinatário;)
Bom seguirmos a nossa vida de mão dada com alguém. Só isso é de uma alegria...

Anónimo disse...

Sou radiologista. Permita-me a ignorância da pergunta: sexo e género? Desconfio que sei, mas não tenho a diferença clara. Para mim é sexo. Para si é género. Porque o sexo se limita à anatomia? Socióloga, então? Logo, comunista:))Óptimo.

Anónimo disse...

Nunca consigo comentar as palavras de Joaquim Pessoa.
As palavras dele são belas, são paixão, são amor. São ternura, amigas e solidárias.
É um dos meus poetas de mesa de cabeceira... e está tudo dito...

Obrigada por este excelente momento

Beijo
(socióloga, logo comunista? :)) )
(refiro-me ao comentário anterior, claro)

Anónimo disse...

Cara Maria: não concebo um bom sociólogo sem ser, pelo menos de esquerda. Pelo menos. Sou leigo, mas a sociologia não é só o estudo dos fenómenos sociais (diria Durkheim, se estou correcto?). É, também, desconstrução daquilo que se nos apresenta. Pareço um bocado biblioteca a dividir as coisas em estantes.:))Não há desconstrução à direita. Assim explcado de forma suscinta, claro.

Anónimo disse...

Joaquim Pessoa é para ler devagar, saborear, re-parar, voltar a ler e ficar em silêncio!

Anónimo disse...

Fernando
O m;)

Sexo e género? Sim, o que dizes anda lá perto. Género abarca as diferenças sociais, culturais e psicológicas entre os sexos feminino e masculino.

Socióloga, logo comunista? Não é a 1ª vez que ouço; desconfio de que não será a última e é sempre dito de forma elogiosa:). Precisamnete pelos mesmos motivos que explicaste à Maria. Mas isso é um mito. Há os de direita e de todos os quandrantes. Mas aí vamos entrar no campo da subjectividade presente sempre nas análises. És médico; sabes do que falo, então. Os métodos e as técnicas existem para nos ajudar a manter um rumo de máxima objectividade POSSÍVEL.
E isto ia muito longe. Logo à noite, senão for dar ao litro, com lareira ligada, meio copo de Monte Velho de 2007 e uns chocalitos, até pode ser que desenvolva por aqui fora;)

Maria
Tens razão - Joaquim Pessoa vale por si mesmo.

Qaunto ao socióloga, logo comunista:)))... já te responderam:))
Beijinhos


Justine
Precisamente porque também prefiro lê-lo no silêncio, desligarei o radiozito bereve, breve:))
Beijinhos

Anónimo disse...

*
joaquim pessoa,
na sinfonia do beijo,
,
conchinhas, deixo,
,
*

Anónimo disse...

Obrigado por este poema.

Anónimo disse...

Poetaeusou
Lindo, Joaquim Pessoa.

Beijos


Antuã
Dia 8? Agradeces pessoalmente o poema:)

Anónimo disse...

Acontece que os quadros mentais (falo de estrutura arreigada e inculcada de pensamento; leituras conceptuais do real) de um sociólogo de direita implica que não seja aberto a conclusões diferentes das hipóteses que coloca no início da investigação. Há muitos mais preconceitos na direita. E isso aumenta a margem de erro. Até os métodos e os instrumentos podem ser manipulados. A subjectividade está sempre presente. Mas livre de preconceitos a mente está a aberta: logo, para as mesmas hipóteses usam-se quadros teóricos diferentes, instrumentos de análise diferentes mesmo recorrendo aos mesmos métodos.
E o vinho com os chocolates está bom?:)) Ou foste dar ao litro? Isso é que é pior.

Anónimo disse...

o amor o desejo o sexo o beijo
a fusão a paixão,tudo junto!!!
sim só sentido assim,intensamente,conseguimos transcender, a realidade que nos rodeia,transformando-a num novo dia.
obrigado por este texto de um autor que pouco conheço(infelizmente)
duartenovale

Anónimo disse...

Duarte
Joaquim Pessoa - vale a pena investigares. É dos melhores, sem dúvida.

Anónimo disse...

Fernando
Nem lareira acesa (lenha na garagem e frio demais para ir buscar), nem vinho, nem, e isto é que mais grave, chocolates!!! Mas pronto. Dou ao litro cá em casa e vou pondo a música em dia:)
De direita ou esquerda, há sempre preconceitos, não tenhamos ilusões. As metodologias apontam-nos os caminho. Os instrumentos/técnicas são os auxiliares de navegação. Para que ninguém se perca e haja o devido distanciamento a ideias feitas. Temos que confiar que é assim. As hipóteses que se colocam são apoiadas no corpo teórico, como sabes e sim, nas nossas impressões. Cabe ao resto da investigação a confirmação ou infirmação.
Onde eu vejo maiores diferenças, não é ao nível da investigação. Mas das formulações teóricas sim. É normal haver essa diferença. Mas haverá bons sociólogos de direita, como maus de esquerda. Ok - admito que os sociólogos de direita me irritam um bocado. Mais não digo que tinha que alargar a coisa para zonas delicadas.;)

Anónimo disse...

Bom, arranjo lenha e vinho desse a uma temperatura decente. Chocolates dispenso.

Percebo o que dizes. E, mais ainda, o que não dizes. Porque me parece que tudo o que queres dizer está precisamente aqui: no que estrategicamente calas. Também entendo. Muitas conversa de métodos e técnicas...mas o essencial não está aí. Tens exemplos, não tens dessa tua última frase? E são públicos, não são? Se calhar pensamos nos mesmos. E estás a imaginar essa gente a fazer investigação? Não respondas - não precisas. Até já percebi a resposta.

E temos o Giddens, com a sua 3ª via. De esquerda, de esquerda, mas arranjou um berbicacho dum conceito!

Durma bem menina vermelha :) - foi um gosto. Amanhã lenha na lareira:)
Beijo

Anónimo disse...

Fernando
Ninguém que viva neste planeta pode pronunciar a frase 'chocolates dispenso'. Isto não é entendível aos meus quadros mentais. AH! E os preconceitos que tenho sobre quem pronuncia este tipo de heresia...
Noite feliz

Anónimo disse...

Se for com licor dentro, ainda vai...

Anónimo disse...

Se for com licor dentro, ainda vai...

Anónimo disse...

Que belo poema. Não é um poeta a que tenha dedicado muta atenção. Nao porque o tenha lido e não gostado, não. Não calhou, nas calhas da minha vida. Mas é, de facto, um poeta que vou passar a ler mais. É para isso que servem também os blogues. Obrigado, Lúcia. O poema é lindo.
Eduardo

Anónimo disse...

Fernando C
Ora aí está uma coisa que detesto: chocolates com licor dentro.

Olá Eduardo
Bons olhos te leiam:)
É verdade, Joaquim Pessoa é excepcional.

Beijinhos

Anónimo disse...

É o Joaquim, em grande forma...

Anónimo disse...

Um belo poema de amor!

Obrigado pela mostra.

Bjs

Anónimo disse...

A paixão é fogo que se esfuma se não existirem alicerces como o respeito o carinha, a amizade, nada fica
beijos

Anónimo disse...

Nenhuma dor
poderá ser sentida
neste amor!

Uma das minhas paixões Joaquim Pessoa. Obrigada!

Beijos

Anónimo disse...

Samuel
Depois de teres contado aquela história dos frangos nos alguidares, não passo por Joaquim Pessoa sem me lembrar:))

Beijos


Vieira Calado
De onde este veio, há mais. Cá virão parar!

Beijos



Multiolhares
É verdade - a paixão pode ser só fogo de vista se o resto não estiver lá. Me parece que, no caso que o poema versa, lá estará tudo;)

Beijos


Ausenda
...ou se dor sentida, dor lambida! Porque há sempre dor no amor. Pode é ser passageira, momentânea. Que se lambam as feridas de quem se quer bem:)

Beijos

Anónimo disse...

Lúcia,
Um poema com labaredas, o fogo dos apaixonados!..
Joaquim Pessoa, um poeta por quem sinto verdadeira admiração. Aviva as nossas emoções, adoça os sentidos.
Com a música do filme "Piano", que tanto me marcou. É uma das músicas de fundo do "Refúgio"...
Bom fim-de-semana.

Beijos muitos e um sorriso :)

Anónimo disse...

Caçadora
É verdade - Joaquim Pessoa tem chamas na ponta dos dedos, para assim escrever.
E bem sei que tens essa música no teu Refúgio.;)

Beijinhos e bom fim de semana

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