segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vem o Outono - Vem a propósito...

VEM VENTO, VARRE!

Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro

o tronco estreme
de raiz funda.

Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem vento, varre!

Adolfo Casais Monteiro dedicando a José Rodrigues Miguéis
Ilustração de Jesús Gabán

8 comentários:

Anónimo disse...

tanto também não, Lúcia...

o Adolfo devia estar em fúrias quando dedicou este poema a JR Migueis...

bjs

Anónimo disse...

É um poema de outono já com voz de inverno.
A ilustração, uma delícia!

Anónimo disse...

Engraçado, Luis, pensei o mesmo :)
Beijos

Justine
...com voz de Inverno - dizes bem. E quanto à ilustração, está feita justiça - já coloquei a autoria que,imperdoavelmente, me havia esquecido.

Anónimo disse...

Lindo e grave.
Sério, não sisudo.
A raíz, é tudo.
Sim, o vento leva
o barco frágil,
barco e vela.
Poema de linha direita
tronco firme
É rude?
È.
Mas ponte entre o chão e o céu:
- não tem preço.

Bjo.

Anónimo disse...

Tem dias que nem o vento dá jeito!
Aqui saudamos a primavera.
Abraços.

Anónimo disse...

Eduardo
Leste bem e traduziste, ainda melhor, para aqui. Que bom ler-te.
Beijinhos

Clarice
Pois é - a globalização ainda não chegou às estaçõe do ano.
Beijinhos

Anónimo disse...

Hoje começou o Outono.
É uma esta~ção que me deixa deprimida mas vir aqui ver a imagem e o poema enterneceu-me.
Ah! adoro papoilas...

Anónimo disse...

Violeta
Ainda bem que te enterneceu. Eu gosto do Outono - das cores; dos cheiros; das castanhas assadas pela baixa das cidades...
As papoilas já foram embora este ano. Ficam estas de recordação.
Beijinhos

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