quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Violência Doméstica

Desenho de Manuel Albino

Dados da APAV indicam que, em 2007, houve 5 318 mulheres vítimas de violência doméstica.
Conta-se que, só este ano, já morreram 31 mulheres às mãos da violência doméstica.

Das muitas conclusões apresentadas pelo relatório da APAV (que faz uma caracterização quer da vítima quer dos autores das agressões) e da muitas ilações que retiro, destaco uma: 588 homens foram vítimas de violência doméstica. Que se saiba. Porque este problema, quando as vítimas são do género masculino, nunca se sabe (aliás, nunca se saberá o número exacto das vítimas da violência doméstica). Não ponho em causa que o número de mulheres vítimas será sempre maior do que o número de homens. E que os 5 318 estarão aquém da realidade.


Mas a vergonha é demasiada para o homem. Vergonha perante todos. Já é mau demais assumir que se foi vítima de violência doméstica (sendo homem ou mulher) - por toda a coragem que exige uma denúncia; por tudo o que está em causa numa relação; às vezes a própria sobrevivência económica da vítima. Mas quando as vítimas são eles...
... o silêncio é maior....

18 comentários:

Anónimo disse...

tens razão, Lúcia, mas penso que são uma gota no oceano...

bjs

(luis eme)

Anónimo disse...

Pois Luis: por serem em menor número é que me chamam a atenção. Pelo sofrimento calado que não deve ser minimizado. Porque a maior parte das acções que estão no terreno para dar apoio às vítimas estão focalizadas para o sexo feminino. É natural que sim. Mas é importante não esquecer quem ainda não encontrou espaço de manobra para a denúncia (por vergonha, medo, o que for).
Beijos, Luis

Anónimo disse...

tens razão, também existe... conheço um caso real.
As vítimas, independentemente do sexo, são sempre em maior número que os dados estatísticos.
Entre mortes na estrada e vitiams de violência somos os campeões...

Anónimo disse...

Nunca é demais abordar questões que são a vergonha de todos nós.

Anónimo disse...

uma tristeza os relacionamentos acabarem assim...

Anónimo disse...

Não conhecia esses números, muito maiores do que eu pudesse supor e que por muito pequenos que sejam não deixam de engrossar o todo e esse todo, em pleno século XXI perturba-me e mantém-me neste desassossego.
Abreijo

Anónimo disse...

Fazes bem em denunciar, mas não esqueçamos que a violência sogrida pelos homens é mais pasicilógica que física e que no caso das mulheres sofrem, geralmente, ambas.
Aliás, eu já tinha postado sobre o tema no OPINIÕES.
Beijinhos.

Anónimo disse...

Emendas:
"sofrida" / "psicológica"

Claro que nada justifica a violência sobre seja quem seja: Crianças, pessoas idosas, mulher, homem, animais.

Anónimo disse...

Violeta
Infelizmente, nessas estatísticas, ninguém no bate.

João Videira Santos,
...mas hão-de deixar de ser. Ou pelo menos, hão-de diminuir a incidência. Espero.

Greentea
Alguns relacionamentos acabam assim. Outros há que se mantêm anos a fio assim.
Obrigado ple visita.

Salvoconduto
O que é preciso é isso: que as pessoas se mantenham desassossegadas.

Beijos

São
Tendo a concordar contigo. Mas, ao mesmo tempo, acho que ainda nos poderemos surpreender com a violência doméstica sobre os homens: no número e na forma.

Beijos

Anónimo disse...

Olá, Lúcia. Fazes bem em lembrar esta questão da violência ...doméstica. Digo lembrar, porque é um fenómeno social de sempre, como sabes. Só que agora, na sociedade da Informação, as coisas, e bem, são divulgadas. A violência, antes de ser doméstica, é...violência ( desculpem o truísmo ). A sociedade é violenta. As pessoas são violentas. Todos, mais ou menos, sonmos violentos, a despeito da hipocrisia de Portugal ser um páís de brandos costumes!....Sim, mas com que violência subtil, mitigada, sacana, com mimos envenenados de palavras mansas?...Não, não me estou a afastar do tema. A violência doméstica...é um prolongamento da violência social. Tem causas? Sim. A sociologia tem aproximações analíticas. Mas Freud também tem e estamos no campo da Psicologia. E se formos a Jung ( psicologis das profundidades - inconsciente colectivo - a violência na história das nosas gerações, da nossa genética... ), começamos, a meu ver, a aproximar-nos do cerne da questão.
Sociologia/ Psicologia. Macro/micro. Grandes números e grandezas/ realidade íntima da afectividade: aqui me situo: a nas-cente do ódio ( ai, a nossa infância, o nosso inconsciente...), da frustração, a mola que, mesmo com boas bases económicas, não evita a estalada na cara, o tiro no peito, etc.
A Lúcia, e bem, levanta -aqui mais levanta do que lembra - a violència doméstica sobre os homens.Fazes bem, Lúcia, em levantar, e eu sei que o fazes sem outro propósito que não seja o da lucidez - sim, porque pode haver, neste caso, outros. E, ao fazê-lo, reconduzes o problema ao campo em que o focalizo, de modo sistémico, isto é, complexo, nos termos em que julgo tê-lo enunciado.
Estes problemas, sendo velhos, só merecem ser novos, se forem abordados de modo novo. Estilo, Morin, por exemplo. Com humildade e seriedade. Como a Lúcia o levantou. E bem. E por aqui me fico. Não tenho explicação. O que faço em cada dia é ser o menos violento possível. Por isso falo muito em amor. Para me ouvir em primeiro lugar. Bom fim de semana.
Beijos para vocês todos.
EA

Anónimo disse...

Bom dia Eduardo
Levantas uma séria de véus sobre várias abordagens que podem ajudar a explicar a violência em geral.
E, logo, a violência doméstica.
Essas explicações são importantes para a compreensão; para a caracterização do fenómeno e seus actores.
Mas são importantes para quem estuda e trabalha o probelma. E é muito difícil chegar aos envolvidos numa questão de violência doméstica (vítimas e agressores).
Centrei o post no facto de haver vítimas do género masculino porque são um alvo que se silencia; parece que não existe. E existe, sim. Se calhar em números que nos supreenderiam. Mas nunca quis menosprezar a violência doméstica cometida sobre as mulheres. Não há maior ou menor violência. Desde que haja uma vítima, há sempre lugar à noss atenção.
Beijos

Anónimo disse...

Lúcia


De acordo. Olha, hoje, compra o DN, que traz artigo interessante sobre o tema.Não reproduzo porque estou de saída.
B F Semana.
Bjs.
EA

Anónimo disse...

Custa-me a violência...

Anónimo disse...

Eduardo, já li.
Bj

Pedro
Seja qual for...

Anónimo disse...

Lúcia, a perda de controle ou o hábito são coisas terríveis. Alcoolismo, drogas, falta de dinheiro, infoidelidade, nada justifica.
Geralmente quando há violência doméstica os pequenos também a sentem, na pele ou na mente.
Há um limite para as pessoas ficarem juntas. Por que não se vão?
Abraços.

Anónimo disse...

Clarice
Há sempre um limite, não é? Também acho.
Mas, muitas vezes, as pessoas não se largam por dependncias: as que referiste. É complicado, né?

Abraço

Anónimo disse...

Ó Lúcia.. francamente.
A volta que tu deste para nos dizeres que bates no teu marido!!LOL :)))

Agora, a sério, não fosse ser a hora que é e tínhamos uma conversa, mas não pode ser que já é muito tarde. Só te digo isto:
Parabéns pelo excelente post.
Beijinhos

Anónimo disse...

Ó Sal...descobriste tudo! ts ts:))
E eu a pensar que estava a ser discreta!

Um dia, algures nalguma dessas feiras, encontramo-nos e falamos disto e doutras coisas.

Beijinhos

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