sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Educação Sexual na Pré


Mente aberta como sou, sempre achei que faria tudo para dar uma educação esclarecedora aos descendentes em todas as áreas, incluindo a sexual - sem tabus; utilizando uma linguagem acessível mas real; sem fantasias e metáforas de abelhinhas ou florzinhas ou outras que tais.

Apercebo-me de que não estou no bom caminho quando, com as mãos nas suas pequenas ancas, a moçoila olha para mim debaixo dos seus 4 aninhos com o sobrolho franzido e, desprovida de qualquer contexto que o justificasse, me pergunta:
"Ó mamã, como é que o papá te pôs uma sementinha na barriga se ele tem a pila sempre fechada?! Diz-me lá?!"
"Bom querida - sempre fechada, fechada não - também faz xixi, não é?"

- O que tinha eu na cabeça quando falei em semente ou sementinha?! O que é que me deu?!

- A resposta corada, mais parva do que a explicação que terei dado dias antes, só se justifica pela inoportunidade da pergunta e o ar com que foi feita: "Fazes-me de parva, mas agora toma lá esta e vamos lá ver se a resposta que dás não te fica mal é a ti"!
Ficou!

Moral: Mesmo com a mente aberta, somos levados, às vezes, a transportar os fantasmas da nossa educação. Foi um bom aviso.

Ah! E a história já começou a ser corrigida como tem e deve ser! Com os nomes nos sítios, que dantes não se designavam por uma noção bíblica que ainda se tinha do sexo.

12 comentários:

Anónimo disse...

Podes crer que são mesmo fantasmas.

Bom quando se enfrentam. De certeza que por esta vez ela te desculpa.

Anónimo disse...

Salvoconduto
Por esta vez... A ver se eu não abuso da sorte!

Beijos

Anónimo disse...

Lúcia,
É verdade, mesmo que tenhamos uma mente aberta (incluo-me no grupo), os "fantasmas" não nos largam!
Gostei da partilha desta história, um bocadinho da sua vida, em que cada um de nós acaba por se rever.

Beijos e um óptimo fim-de-semana,

Anónimo disse...

Eles e elas, nestas idades, são grandes armadilhas. Toda a atenção é pouca!... :)))

Abreijo

Anónimo disse...

Caçadora de Emoções

Não nos largam nisto e noutras coisas. E às vezes nem damos conta.
Beijinhos


Samuel

Mas ajudam-nos a ver os nossos limites. À custa de figuras parvas que fazemos, mas enfim...:)
Beijos

Anónimo disse...

Ai aos 4 anos já fazem perguntas dessas?????
Credo. O que me espera...
Olha lá, e se ela se lembrar de perguntar coisas piores? Do género... "Ó mamã, porque é que o Sócrates diz que é socialista?"

:)))

bjs

Anónimo disse...

pois...

eu também sei como é...

abraço Lúcia

Anónimo disse...

Ainda não chegou aí, Sal. Brevemente, brevemente. Mas nas presidenciais, face à divisão política do voto dos progenitores entre Alegre e Soares, a única conclusão que tirou e que repetia constantemente era "Cavaco, não, Cavaco não"! Primeira desliusão política da criancinha!
Beijinhos

Olá Luis Eme
Que bom estás de regresso!
Pois - temos de passar por isto, não é?
Beijos

Anónimo disse...

delicioso este "post"

prepare-se que os embaraços vão continuar..haverá outras "delicadas" perguntinhas ...

tipo, estar a lavar os dentes com minha filhota (nessa altura mais ou menos da idade da sua) e ela soltar
"mãe, nasci de ti... certo? então como foi... engoliste-me???"

um sorriso :)

Anónimo disse...

Mariam
Estou preparada! Na verdade, as figurinhas tristes que fiz nesta situação deram-me o estágio;)
Beijinhos

Anónimo disse...

Bom, Lúcia: o importante é a gente ter a mente aberta. Quanto ao resto, a gente nunca sabe. Façamos o melhor possível. Não é grave. Para ouvir as observações inteligentemente ternas dos miúdos a falarem das sementes e das pilinhas fechadas...vale a pena a gente enganar-se. A vida ensina. Viva o erro. Viva a sempre correcção. Que é sinal de interesse. O cotrário seria indiferença. Que haja manuais. Mas valem o que valem.
Boa sementeira. Que o Outono aí vem.
Boa semana. Beijos.
Eduardo.

Anónimo disse...

Eduardo
Claro que estas conversas não deixam de ter graça. Mas servem-nos de lição, servem.
O Outono? Pois...haja sementeiras ainda no Verão:)
Beijinhos

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