terça-feira, 24 de junho de 2008

Sal

A propósito destes tempos e do que anda p'raí. Que não é muito diferente daquilo que sempre foi.
"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra; e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. (...) Suposto pois que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar, que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo disse logo: Quod si al evanuerit, inquo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras, et conculcetur ab hominibus - E se o sal for insípido, com que se há-de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens (S Mateus 5-13). Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo que se lhe há-de fazer é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos. (...) Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga".

Sermão de Santo António aos Peixes - Pe. António Vieira

6 comentários:

Anónimo disse...

A questão é haver tão pouco sal para tão grande terra passível de corrupção. Será? Um bom tema para meditar...e discutir

Anónimo disse...

Justine: ou então saber porque é que a terra não se deixa salgar.
Era um tema inesgotável, sim.

Anónimo disse...

famoso o sermão e sempre actual...

Anónimo disse...

Quando comecei a ler pensei que era um post dedicado a mim...
Mas quando começaste a falar de corrupção percebi que era dedicado ao Sócrates..

:)))

Só a luta é o caminho.
Com Sal, açucar, ou com o tempero que fôr!!!

beijinhos

Anónimo disse...

Isto é alguma indirecta??? :))

Anónimo disse...

Jasmim:
...e desconfo que vai ser sempre actual, infelizmente.

Ó Sal: foi inevitável pensar em ti, neste post, acredita:)
O texto reza acerca dos que estão no poder de forma visível, mas também é acerca de pessoas que estão entres nós, anónimas, que vão aos mesmos cafés que nós vamos; que compram os jornais no mesmo quiosque, debitando moralidades, mas que não se coibem de transpôr barreiras éticas, morais e legais para alcançar, apenas, o seu próprio bem. Todos nós conhecemos alguém assim. Nos locais de trabalho, então...
Beijinhos

Enviar um comentário