O Princípio a 2:2
Os amantes sem dinheiroTinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade
7 comentários:
E.Andrade é... Grande!
gostei da escolha...
um sorriso :)
Um dos meus poetas preferidos, Eugénio de Andrade.
Obrigada. É sempre tão bom lê-lo outra vez, e outra vez...
beijinhos
Eugénio de Andrade cantou o amor como poucos...
... e este canto é lindo!
Beijos
o dinheiro, sempre o dinheiro...
até na inspiração do poeta...
Boa escolha...
Beijinhos*
Seria bom se ao menos por uma vez, deslumbrado por um gesto nosso um pássaro nascesse...
Uma poeta para ler e recordar sempre.
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