quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Princípio a 2:2


Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.


Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.


Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade

7 comentários:

Anónimo disse...

E.Andrade é... Grande!
gostei da escolha...

um sorriso :)

Anónimo disse...

Um dos meus poetas preferidos, Eugénio de Andrade.

Obrigada. É sempre tão bom lê-lo outra vez, e outra vez...


beijinhos

Anónimo disse...

Eugénio de Andrade cantou o amor como poucos...
... e este canto é lindo!

Beijos

Anónimo disse...

o dinheiro, sempre o dinheiro...

até na inspiração do poeta...

Anónimo disse...

Boa escolha...

Beijinhos*

Anónimo disse...

Seria bom se ao menos por uma vez, deslumbrado por um gesto nosso um pássaro nascesse...

Anónimo disse...

Uma poeta para ler e recordar sempre.

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